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A música faz a mágica para ‘The Cigarettes’

cigarettes_editada2Assim com o ‘Ex-Mágico’ de Murilo Rubião, Marcelo Colares e seu ‘The Cigarettes’ encarou trauma, erros, incertezas, desassossego, uma vontade de parar e a rotina de um trabalho burocrático em sua vida. Mas, ao contrário da personagem de ficção, e para a sorte de quem curte um indie rock, este artista carioca de 42 anos não desistiu de sua mágica: a música.

Rubião é um expoente da literatura fantástica nacional. Em seu conto ‘O Ex-Mágico da Taberna Minhota’, de 1947, o autor relata a vida entediante de um homem que, cansado de seus incríveis poderes mágicos, vira funcionário público. E, ao tentar recuperar os mesmos poderes, descobre-se um cidadão comum. ‘Confiara demais na faculdade de fazer mágicas e ela fora anulada pela burocracia’, relata a personagem.

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Marcelo, por sua vez, é um expoente do rock alternativo no país, referência para muitas bandas que hoje mantêm agitado um circuito de shows no Brasil. No entanto, trabalhando há 12 anos como bancário no Banco do Brasil e com algumas desilusões no universo musical, viu ‘The Cigarerttes’ perder espaço para a rotina e a burocracia de seu trabalho, enquanto a carreira no banco só prosperava.

Mas aí, sua mágica, ou melhor, sua música, mostrou força. ‘Houve momentos em que tentei parar de tocar. Só que nesses momentos em que eu parava de tocar eu ficava doente de novo’, afirma Marcelo, lembrando as dificuldades que enfrentou em sua vida pessoal e também como roqueiro.

No final dos anos 90, Marcelo encarou uma ‘situação traumática’. ‘Havia uma turnê para a Europa. Estava me organizando para isso e, na última hora, cancelaram tudo. Eu trabalhava em um jornal, saí para a turnê e não rolou. Fiquei deprimido’, relata o músico. ‘Fiz terapia, acompanhamento e melhorei’, continua.

Mas as dúvidas persistiam. ‘Começa a dar tudo errado. Aí fiquei pensando se essa era minha parada mesmo, se deveria continuar, se não era apenas uma brincadeira’. E, nesse processo de redescoberta, um convite aqui e outro ali para shows definiram o espaço da música na vida de Marcelo.

Em 2012, o músico estava estudando no Instituto Rio Branco para ser diplomata. Mas, como havia acabado de lançar o terceiro álbum do ‘The Cigarettes’, os shows começaram a aparecer. ‘Quando eu vi, estava tocando quase todo mês. Aí me empolguei e não tinha muita escolha’, diz.

‘O que aconteceu foi o que eu defini. Eu tomei uma decisão nesses últimos anos que isso (música) era o que me satisfazia e me dava tesão. Não tinha porque eu ficar constrangido com isso. É uma coisa pessoal’, explica, para continuar. ‘Não interessa o que vai acontecer, se vai dar certo ou errado, ou o que é dar certo ou errado. Não importa, é uma coisa minha que vou fazer até morrer’.

Morando em Itaperuna, Marcelo talvez tenha aberto mão de sua carreira, e belos rendimentos, no banco. Mas, certamente, está mais feliz. ‘Voltei a trabalhar seis horas. Eu trabalho no banco hoje com a parte de suporte administrativo, com demandas judiciais. Não atendo público, vou trabalhar com camisa de banda e tals’, conta.

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