Colunistas Juliano Barreto

As melhores 3 horas e 51 minutos da vida do AC/CD… e da sua também

Bon Scott em cena do clipe de Let There Be Rock (Reprodução/Youtube)

N.A.: Nos anos 60, o programa de TV da Jovem Guarda ensinou a uma geração repetir gírias sem muito sentido. Mas, na época, isso era uma brasa, mora? Hoje em dia, o Facebook ensinou as pessoas a falarem de jeito meio sem sentido, ou melhor, desensinou as pessoas a se expressarem com uma variedade de expressões. É só pegar os últimos 5 comentários da sua TimeLine para ver como tudo é lacre, mito, fail, raiz, nutella e, muitas vezes, “o único possível”, “o melhor”.

Bem, vou tentar me comunicar usando todo esse histrionismo na tentativa de fazer você ouvir o conteúdo da caixa “Bonfire”, do AC/DC. Vamos lá:

Eaí, parça!?

Anima ouvir o MELHOR disco que o AC/DC já gravou na carreira? Eu acho o vocal do Brian Johnson muito massa. Ele é mito. Mas, você tá ligado, né? O Bon Scott é o único vocalista do AC/DC possível. Ele é raiz. E nessa caixa do Bonfire os caras lacraram demais. São cinco discos, Live at Atlantic Studios, o duplo Let There Be Rock (ao vivo em Paris em 79), Volts (com versões lado B) e para finalizar a edição remasterizada de Back in Black. Perfeição define. PISA MENOS, AC/DC!!!

Eu quero morar no primeiro disco, o “Live at Atlantic Studios”. Nele, a banda faz um show ao vivo nos estúdios de uma rádio em Nova York. Dá para sentir a banca com uma gana de quem está meio no começo, querendo sambar na cara da sociedade. Pense num show cru, direto, forte. Para mim, mesmo sem ter os hits mais consagrados, é o melhor disco do AC/DC. Simples assim.

Nem vou falar o quanto o Angus Young é gênio. Dá para ver em 600 anos de carreira que ele é O MELHOR SER HUMANO a tocar os paranauê de guitarra em um palco. Mas ele já provava isso no show de “Let There Be Rock”, em Paris. Já em 79, o cara conseguia hipnotizar a plateia e, de uma forma inédita até hoje, tocar solos sem ser chato. GÊNIO. Não vi DEUS, mas (ou)vi Angus Young!

O que falar de “Volt” e “Black in Black”? Mesmo em versões demo, ou talvez principalmente nas versões demo, “Touch too much”, “Dirty eyes” e “Sin City” são muito zika. Ainda tem uma versão menos gourmetizada de “It’s a long way to the top if tou wanna rock’n’roll”, que é mara. Até o pessoal coxinha e topzera vai pirar.

Na época em que saiu, nos idos de 1997, era praticamente impossível comprar esse box. Hoje, é só escrever Bonfire no Spotify e ouvir as melhores 3 horas e 51 minutos da vida do AC/CD… Partiu?

Sobre o autor

Juliano Barreto

Juliano Barreto é jornalista e autor da biografia “Mussum Forévis – Samba, Mé e Trapalhões”. Trabalhou como programador multimídia, repórter, editor e redator-chefe em diversas publicações impressas e digitais, passando pela Folha de S. Paulo, Editora Abril e Microsoft do Brasil. Entre 2006 e 2016, manteve, com a colaboração de amigos, o blog www.resenhaem6.com.br, postando avaliações de filmes, livros, discos e restaurantes —sempre em seis linhas ou menos.