Especial

Anos 80: inspiração e influência underground

sileste_editada6Picassos Falsos, Fellini e O Último Número. Bandas surgidas no meio da década de 80. Sem redes sociais, sem Spotify, Deezer ou outros serviços de streaming. Sem Youtube. E longe da exposição maciça nas grandes mídias. Mas, mostrando a força do rock alternativo, que se renova. E vira Viana Moog. E vira Siléste. E continua vivo.

Em São Leopoldo, 30 km ao norte de Porto Alegre, Everton Cidade, Cris Spaniol, Leonardo Serafini e Mádger Barte, integrantes da Siléste, mantêm esse rock alternativo e, principalmente, ativo, preparando-se para o lançamento de seu terceiro disco em cinco anos da banda.

Para Cidade, além do rock’n’roll, o espírito de buscar coisas novas também é o mesmo desde aquela época das bandas que inspiraram a Siléste, apesar de todas as mudanças tecnológicas nestes aproximadamente 30 anos. ‘Há pessoas que, mesmo online, têm essa relação. Está muito mais ligado ao modo de amor que a pessoa tem com a informação nova’, diz o artista.

No entanto, a descoberta de algo novo e de difícil acesso provoca um saudosismo gostoso em Cidade. ‘Sou um romântico frenético. Parecia que estava recebendo uma informação de Mercúrio. Um deus que te dava um cassete e um zine de papel’, relembra, citando ainda a Rádio Ipanema, de Porto Alegre, hoje online, e ‘uma loja que se chamava Tabacaria Central’, em São Leopoldo. ‘Você comprava um pacote de discos pops e, no meio, vinham dois do Picassos Falsos’, conta Cidade. Por fim, a Biblioteca Pública da cidade foi outra fonte de inspiração.

Cidade agora curte o momento para as bandas underground. ‘Aqui sempre teve uma cena forte. Parece que tem um novo florescer de bandas. E menos regras do que deve ser o underground. Porque tinha um monte de regrinha do que precisava para ser’, conta.

O artista até dá seu toque a quem curte rock. ‘Olharem as bandas underground além da primeira camada, porque sempre vão ter 10 ou 15 que estarão em mais evidência. Isso tanto no mainstream quanto no underground’. E, a partir do momento que uma banda fique mais conhecida e em evidência, não seja criticada por isso. ‘Acho bobo (as críticas), infantil e hipócrita. Se pegar essas bandas, é o mesmo que faziam antes. Fica uma soberba underground’, diz.