Especial Garimpo Bem Rock

Bogotah ‘brinda o fim do mundo’ e a força de seu disco

O Brinde ao Fim do Mundo foi dado em janeiro de 2016. Tentando retratar um panorama de Brasil desde as manifestações de 2013, o primeiro álbum do grupo Bogotah foi além. A história, contada em ordem cronológica durante 10 músicas, parece mostrar também algumas situações que aconteceriam nos anos seguintes, como o crescimento do ódio, da intolerância, da polaridade política sem diálogo.

Segundo conta ao Bem Rock Renan Lynx, vocalista e principal letrista da banda, o projeto do disco Um Brinde ao Fim do Mundo começou a nascer em 2014, um ano depois de a banda ser formada, sendo gravado entre os meses de maio e dezembro de 2015. Nesse processo, o grupo viu que sua temática social deveria durar muito mais tempo.

‘A gente começou também a perceber que muitas das coisas que estavam acontecendo no Brasil, que são assuntos pontuais, provavelmente vão perdurar pelos próximos 20 ou 30 anos. Então a gente queria passar uma história que não somente mostrasse o panorama atual, mas se nada mudar, uma perspectiva futura’, explica Renan.

Na história contada no disco, um agente da lei, após cometer barbaridades em nome da ordem, cai na real sobre seu lado e, ao lado dos insurgentes, ajuda na revolução que derruba um governo totalitário.

O músico ainda acredita que a mesma temática de crítica social do álbum ganhará força no próximo ano. ‘Não é que a gente tentou prever, mas acabou acontecendo de uma forma natural. Em 2018 vai voltar com bastante força essa coisa de crise no debate político. E aí talvez o Brinde ao Fim do Mundo se torne mais atual do que ele foi em 2016′, diz.

Além de Renan Lynx, a Bogotah, é formada por Amando Puente (guitarra), Igor Figueiredo (guitarra), Davi Hermsdorff (bateria) e Rodrigo Cunha (baixo). Apesar de as letras serem de Renan, a ideia geral por trás de Um Brinde ao Fim do Mundo foi dividida e acordada com todo o grupo.

‘Na banda temos visões políticas diferentes. Não necessariamente a gente enxerga o mundo da mesma maneira. Mas uma coisa que a gente concorda é que existe uma desigualdade social muito grande e, enquanto ela for muito presente, a gente nunca vai evoluir como um todo. E aí, por mais que as visões não sejam exatamente iguais, a gente consegue encontrar um ponto em comum’, afirma Renan.

Com esse ponto em comum, a Bogotah focou em atingir as pessoas com suas letras. ‘As bandas, em geral, querem passar uma mensagem e nosso grande intuito foi esse. Nós podemos lutar juntos por coisas que sejam para um bem comum. Parece muito utópico, mas não é. Por mais que as pessoas discordem politicamente sobre mercado, economia, polícias sociais, acho que nenhum cidadão que se considera pleno acha que a fome seja necessária. É uma mensagem que a gente quer passar sim. Queremos que as pessoas entendam, tragam para a realidade delas e acreditem nisso’, avisa o vocalista.

Para Renan, justamente por ter esse foco em passar uma mensagem, a banda optou por evitar o inglês, ou outras línguas, em suas composições. ‘Quando você coloca em inglês, querendo ou não, coloca uma barreira para muita gente’, explica. Além disso, o vocalista vê um diferencial na escolha da Bogotah. ‘A gente queria fazer em português, porque falta (metal em português) no Brasil. Fazer metal em português é um desafio, não é tão fácil’, continua.

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SONHO E PLANOS
A Bogotah tem uma aspiração: ver Um Brinde ao Fim do Mundo atingir outras mídias. ‘Nosso maior sonho era alguém querer produzir algo desse tipo. E aí pode ser qualquer coisa: uma peça, um filme, um curta, animação, até uma HQ’, revela Renan, antes de expor as dificuldades. ‘A gente até pesquisou, mas é muito caro e muito além do que a gente pode enquanto banda’.

Enquanto sonham, a banda também trabalha em seus próximos passos. ‘Nosso plano no curto prazo é fechar essa turnê (com quase 40 shows) da melhor maneira possível. Temos um clipe gravado ao vivo para liberar. E começar a gravação do novo disco em janeiro’, avisa Renan. Nossa expectativa é que o álbum seja lançado em julho. Mas a gente deve lançar uns dois clipes em abril e junho’.

Sobre o novo álbum, o músico prevê algumas mudanças. ‘Uma coisa que a gente tem certeza é que não vai fazer um álbum conceitual no sentido de contar uma história’, diz. Outra mudança é musical. ‘A gente teve a entrada de mais um integrante (Amando Puente) e agora somos um quinteto, com uma segunda guitarra. Viremos com muito mais melodia e experimentações musicais’, completa Renan.