Colunistas Juliano Barreto

Eu vos declaro marido, mulher e Boss Hog

 

Demorou 17 anos, mas “a banda que não negocia” voltou para os estúdios e para a estrada. Nas palavras dos próprios, o som é um “futuristic brew of 21st Century blues, toxic punk rock beat music, and hyper-focused, outer-space psycho assaults”. Só alguém como Jon Spencer (The Blues Explosion, Pussy Galore) seria capaz de dizer algo desse tipo. Se soa como uma loucura meio difícil de acompanhar, temos sorte de que existe ao menos uma pessoa que embarca na mesma e embarca com gosto, Cristina Martinez (Pussy Galore).

Spencer e Martinez, marido e mulher, guitarrista e vocalista, isqueiro e estopim. O casal voltou com a mesma pegada dos anos 90, berro, solo, barulheira. É um MC5 com esteróides, um Johnny Lee Hooker sem paciência, uma trilha sonora de filme de terror dos anos 50 sem filme de terror nem anos 50. Sei lá eu. Só ouvindo mesmo. Nunca ouviu Boss Hog? Comece pela clássica “I dig you”, música mais calminha que chegou a tocar nos bons tempos da MTV Brasil. Calminha, mas já mostra tudo o que você precisa ver para ser fã do Boss Hog (chances menores) ou achar legal, esquecer e nunca mais ouvir (chances maiores).

Não entendo porque Jon Spencer and The Blues Explosion e Boss Hog não são mais conhecidas. Por que é tão difícil ver show dos caras no Brasil. Cacete. Por que ninguém percebe que isso é genial? Não se vê ninguém andando com camiseta dessas bandas por aí. Enquanto isso, o Jack White e o Black Keys, que beberam da fonte e colocaram umas colheradas de açúcar na fórmula, estão por aí recebendo prêmios e lotando estádios.

Não tenho as respostas. Mas no caso de você pertencer ou entrar para o grupo de malucos que de fato gosta de um bom 21st Century blues, toxic punk rock beat music, and hyper-focused, outer-space psycho assaults, pode ir atrás das músicas novas “Rodeo Chica”,  “Sunday Routine” e “Disgrace”. Depois voltar para 1996  e ouvir “Winn Coma” também. Depois todas as novas e as velhas misturadas. Depois tudo do Jon Spencer and The Blues Explosion. E depois se preparar para ser o único que conhece tudo isso.

ps. Nada disso é encontrado no Spotify. Mas no Youtube, vish…

Sobre o autor

Juliano Barreto

Juliano Barreto é jornalista e autor da biografia “Mussum Forévis – Samba, Mé e Trapalhões”. Trabalhou como programador multimídia, repórter, editor e redator-chefe em diversas publicações impressas e digitais, passando pela Folha de S. Paulo, Editora Abril e Microsoft do Brasil. Entre 2006 e 2016, manteve, com a colaboração de amigos, o blog www.resenhaem6.com.br, postando avaliações de filmes, livros, discos e restaurantes —sempre em seis linhas ou menos.