Colunistas Xandão

Encontrei um bolo de dinheiro. Ou Trompe le Monde

pixies_editada1Aproveitei um momento tranquilo recentemente para ouvir Head Carrier, segundo álbum que o Pixies lança desde o retorno da banda, em 2004. É também o primeiro gravado na íntegra com Paz Lechantin, que assumiu o baixo no lugar de Kim Deal.

Mas, a questão aqui, não é esse novo álbum (apesar de ter gostado muito). Mas sim o último. Ou melhor, o último da primeira fase da banda, que durou de 1986, quando foi formada, até 1993.

Neste período, foram quatro discos lançados. Surfer Rosa, de 1988, Doolittle, 1989, Bossanova, 1990, e Trompe le Monde, de 1991. Este último álbum completa 25 anos em outubro.

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Eu, obviamente, não lembrava que Trompe le Monde havia sido lançado exatamente em outubro. Não lembrava nem que era o ano de 1991. Estava, na época, com 17 anos. E, em minha memória, depois de tanto tempo, as coisas já não são tão claras.

Trompe le Monde já é de uma época em que as descobertas não eram mais do tipo ‘o primo de alguém conhece alguém que tem o disco e gravou uma fita para outro alguém e assim vai’. Ouvi pela primeira vez alugando o CD em uma locadora.

Curti muito. Mas tenho a impressão de que o álbum pegou a galera num clima meio ‘tá, ok, mais um disco meio maluco e alternativo do Pixies’. Ninguém deu muita bola. Acho que nunca o tive fisicamente. E, com o tempo, caiu no meu esquecimento. Devo ter ouvido um pouco no início do streaming, rádios online etc. Mas, novamente, ficou lá na memória como algo do passado que eu precisava revisitar, mas deixando o tempo passar.

Bem, depois de Head Carrier, resolvi continuar com Pixies. Ouvi todo o Doolittle e, finalmente, fui visitar o Trompe le Monde de minha memória. Que sensação incrível de felicidade! É muito muito bom! E estava aqui, pertinho, em um serviço de música fácil e rápido de distância.

Enquanto escrevia e pesquisava algumas coisas em meu computador, ouvi duas vezes, na sequência. Vale muito a pena. São pouco menos de 40 minutos daquele rock com a cara do Pixies. Comecei ouvindo esperando ansiosamente por U-Mass, a faixa 6, e Subbacultcha, a 11. Elas são ótimas. Se quiser apenas um aperitivo, essas são boas pedidas. Mas acho que eu tenho uma nova campeã: Planet of Sound, a segunda faixa. Já é a música que mais ouvi na vida nos últimos dias.

Trompe le Monde é um bolo de dinheiro encontrado no bolso de algum casaco guardado há algum tempo e sem uso. E Planet of Sound é a nota de maior valor. Pelo menos por enquanto…

Sobre o último álbum, Head Carrier, a dica é ver o clipe de Um Chagga Lagga aí abaixo, lançado no último dia 6 de outubro, com sósias dos membros da banda:

Sobre o autor

Xandão

Xandão é zagueiro profissional, roqueiro e jornalista nas horas vagas. Mesmo que essas horas vagas ocupem de 9 a 10 horas por dia em trabalhos por aí, tipo Rádio Globo, UOL, R7 e MSN.