Especial Garimpo Bem Rock

EP de estreia da Toro tem foco em mensagens claras

Relacionamentos sim, mas em outro contexto. E não ‘amorzinho’. Assim Francisco Vasconcelos define as letras das seis músicas do EP de estreia da Toro. ‘Tento sempre pegar uma coisa real. Não gosto de escrever sobre o além’, continua o guitarrista do grupo de Brasília.

Para Francisco, suas canções vão além do entretenimento. ‘Sou muito focado nesse lance de comunicação, que é uma função da arte e da música’, diz. ‘O foco é estar claro quando a galera ouvir’. Por isso mesmo, o EP homônimo da Toro evita deixar mensagens escondidas em suas letras.

‘Tentamos deixar as coisas claras, mas não óbvias. Não curto letras subjetivas. Acho um dos erros do som aqui (Brasil), a galera é bem pouca incisiva nas letras’, avalia o músico, que conta o processo de criação da Toro. ‘Geralmente fechamos a estrutura primeiro. Escrevemos as letras depois’.

Se houve um longo tempo para achar a formação atual, o mesmo não aconteceu depois do início dos trabalhos de composição. ‘O que rola é conhecimento. Como eu trabalho com gravação (em estúdio), a parte mais importante foi a pré-produção. O tempo em estúdio tem que ser bem objetivo e focado. Gravamos o EP em uma semana e meia. É um tempo muito rápido’, avalia Francisco

SOBRE AS MÚSICAS
Miragem é uma faixa muito pessoal e trata dos altos e baixos da vida de músico. Fala sobre desistir, fantasma que sempre ronda aqueles que seguem seus sonhos. Refém para os mais incautos pode parecer uma simples canção de amor, mas na realidade fala sobre uma perda e a dor de continuar em frente. Luz Vermelha leva a uma ideia conformista, mas busca justamente criticar esta lógica. Apneia trata de como é comum julgar as pessoas pelas aparências.

“O refrão Ninguém sabe o que carrego nessa vida fala exatamente sobre como ninguém sabe as cicatrizes que alguém carrega e costuma julgar pelo êxito ou fracasso sem saber de fato o que está por trás levando a aquela consequência”, conta Francisco Vasconcelos.

Nada em comum fala sobre o momento em que o interlocutor percebe os interesses e a falsidade por trás dos atos de alguém. Chegando assim, após as máscaras caírem, à conclusão de que ambos não têm nada em comum um com o outro. Já 9,8ms, música que fecha o EP de apresentação da banda brasiliense, tem uma estrutura de prosa. Esta música não repete partes. É como uma história contada, com início meio e fim.

OUÇA TORO NO SPOTIFY