Colunistas Xandão

Kim, remake, Donizete e rock’n’roll. Ou uma salada

Eu quero propor um remake do filme Em Algum Lugar do Passado. Vi no início de minha adolescência, pelo que me lembre, naqueles tempos de ‘é o que temos’ na TV, sem cabo, streaming e outras maravilhas atuais.

Resumindo bem: no filme, um sujeito, interpretado por Christopher Reeve, o eterno Superman, apaixona-se por uma mulher do passado e, usando hipnose, resolve voltar no tempo para curtir esse amor.

No meu remake, um jovem roqueiro fã de, sei lá, Artic Monkeys, apaixona-se por uma veterana do rock. Passa horas pesquisando fotos antigas, a história daquela mulher e resolve voltar no tempo para conquistar sua amada ainda jovem.

Mas aí fico na dúvida: qual Kim será a musa inspiradora para o roteiro? Kim Gordon ou Kim Deal?

Para ter alguma chance de conquistar a primeira, inteligente, artista, roqueira, nascida em Nova York em 1953, seria preciso voltar para antes de 1981. Porque nesse ano ela conheceu Thurston Moore, com quem formaria o Sonic Youth e se casaria por quase 30 anos. Tudo bem, talvez o futuro do Sonic Youth (que agora já é passado) esteja ameaçado.

Talvez seja mais fácil voltar no tempo para conquistar Kim Deal. Nascida oito anos depois de Kim Gordon, em uma cidade mediana dos EUA chamada Dayton, em Ohio, casou-se em 1983 com um sujeito chamado John Murphy. Mas o casamento durou poucos anos, até 1988, segundo sua biografia no site IMDB. O problema é que ela já estava bombando, e brigando, como baixista dos Pixies, além de estar retomando o projeto The Breeders.

Desisti da ideia. Nem em filme vale a pena pensar em fazer qualquer coisa que pudesse colocar em risco tudo o que as duas fizeram pelo rock. De qualquer forma, mesmo desistindo do remake, eu voltaria no tempo por Kim Deal, musicalmente falando. Ok, fisicamente também…

OUTRA IDEIA
Estava ouvindo muito Pixies e Sonic Youth esses dias. Daquelas retomadas que acontecem de tempos em tempos (no meu caso, mais raras no caso do Sonic Youth). E me lembrei de um comentário irônico de alguém, sei lá quem, sobre o nome Donizete.

Houve uma época que parecia que a escolha desse nome já definiria o futuro da criança: ser jogador de futebol. Ainda tenho a impressão de que definiria até o tipo de jogador: habilidade mediana, sempre destaque no preparo físico e muito brigador em campo.

Lembrei disso justamente em função das mulheres de Pixies e Sonic Youth. Se alguém quisesse ter uma filha roqueira, seria apenas escolher o nome Kim para ela e pronto, o resto viria naturalmente.

Aliás, se fosse futebol, o nome Kim deveria ser aposentado para ficar na memória apenas pelas duas representantes aqui citadas.

Sobre o autor

Xandão

Xandão é zagueiro profissional, roqueiro e jornalista nas horas vagas. Mesmo que essas horas vagas ocupem de 9 a 10 horas por dia em trabalhos por aí, tipo Rádio Globo, UOL, R7 e MSN.