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Siléste renova o rock do limbo da Viana Moog

sileste_editada2Do último ensaio para o primeiro nasceu a Siléste. Com ‘um bicho de palco’ à frente, fazendo sua voz soar entre guitarras ruidosas e uma bateria marcante, essa banda gaúcha, compondo para seu terceiro disco, está prestes a completar cinco anos de vida. Mas com muitos outros de experiência.

‘Há 20 anos já’, relembra Everton Cidade, vocalista da Siléste, sobre sua experiência com bandas de rock. Cidade e o guitarrista Cris Spaniol são remanescentes de um clássico do underground nacional, a Viana Moog, banda que se perdeu ‘um pouco no limbo’. ‘A banda não acabou, só paramos de tocar. Meio que passou o tempo dela, o interesse das pessoas diminuiu’, diz o vocalista.

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De uma banda a outra, porém, o tempo foi curto. ‘Saímos do último ensaio da Viana, fomos para casa, começamos a compor e já tínhamos três músicas que entraram no primeiro disco da Siléste’, conta Cidade sobre o novo grupo, composto ainda pelo também guitarrista Leonardo Serafini e o baterista Mádger Barte.

Além da mudança de formação, Cidade vê ainda outra diferença entre sua banda nova e a Viana Moog. ‘Liricamente deu uma mudada. A forma de letra que eu usava na Viana era muito mais insights drogados beatnicks. E na Siléste é mais para o lance interior e espiritual’, explica.

O som da Siléste é forte, marcante, pesado, mesmo sem a presença de um contrabaixo. Jesus and the Mary Chain e Echo & The Bunnymen são duas influências marcantes do cenário internacional. Cidade cita ainda algumas bandas do underground brasileiro como inspirações, como Picassos Falsos, do Rio, Fellini, de São Paulo, e O Último Número, de Minas. ‘Somos uma banda de guitarra. Por não ter baixo na banda, moldamos o som muito em cima da bateria, da voz e da guitarra, tudo junto’, analisa

Outra característica da Siléste, conta Cidade, é fugir da obrigação de encaixar uma mensagem nas letras, mesmo que isso prejudique a sonoridade da música. Segundo o vocalista, elas são trabalhadas para estar ‘sonoramente bem aplicada’. ‘As letras têm que funcionar dentro do som. Acho uma praga você ter que ter uma mensagem, uma crítica, um ataque ou uma defesa. Você não sente (na Siléste) uma palavra que esteja sobrando, mas que seja importante na temática de algo que o autor defende’, diz.

O grupo já está com dois discos gravados. O homônimo da banda, de 2012, e Alien/Iansã, lançado em 2015. ‘É um lance tipo Eram os deuses astronautas, como se todas essas entidades, que são forças da natureza, fossem aliens. Tanto aliens quanto entidades são símbolos da estranheza e do desconhecido, usados pro bem e pro mal. E nos sentimos assim. Estranhos. Mas capazes de tempestades’, explicou Cidade ao site Noize, sobre o segundo álbum.

Agora, a Siléste trabalha não apenas em um novo álbum, mas também se prepara para cair na estrada e satisfazer uma paixão de Cidade: estar nos palcos. ‘Estamos compondo para o terceiro disco, já temos umas músicas prontas. E está para sair um clipe novo, de Alien. Estamos esperando o clipe para fazer uns shows legais. A ideia é viajar mais um pouco, dar uma saída, uma transitada.’

O vocalista exalta essa paixão pelos shows. ‘Se existe uma coisa que é felicidade plena, ou perto de uma felicidade plena, angelical, é estar no palco’, conta Cidade. ‘Eu me vejo como um bicho de palco. Se fico um mês sem um show ou dois, já entro em depressão terrível’, completa.

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