Colunistas João Botelho

Subvertendo, sempre

radiohead_editada1O que falar de uma banda que está há 31 anos na estrada, é tão ou mais criativa do que nos seus primeiros álbuns e nunca, insisto, nunca, se acomodou com o sucesso?

Se você ainda não sabe a que banda me refiro, ela aumentou neste ano sua já rica e aclamada discografia, com um álbum que foi mais bem recebido do que o trabalho anterior, inclusive por este que vos escreve, e acabou de lançar mais um vídeo de uma música do novo álbum, dirigido por ninguém menos do que Paul Thomas Anderson. (O vídeo está disponível ao fim do texto).

As/os mais antenadas/os já sabem que estou falando do Radiohead. O que pode ter dificultado a brincadeira de adivinhação é a informação de que se trata de uma banda com 31 anos de carreira. Afinal, como uma banda de mais de três décadas de estrada poderia se manter tão atual? O Radiohead pode, e essa é só uma das suas qualidades.

Não quero aqui tecer uma ode de fã babão desses britânicos. Eles também cometeram deslizes ao longo da carreira iniciada em 1985. O próprio “The King of Limbs”, que precedeu em cinco anos ao atual “A Moon Shaped Pool”, é um desses deslizes. Mas, errando ou acertando, o Radiohead está sempre brigando contra si mesmo e suas/seus fãs para fazer algo que mereça ser lançado.

É claro que, como toda banda de sucesso, eles têm uma fórmula, sobretudo a partir de “OK Computer”, seu terceiro álbum de estúdio, mas essa fórmula, que já é radical desde sua origem, está constantemente sendo esticada e puxada, produzindo, às vezes, resultados que soam experimentais demais, quase inaudíveis, até para as/os calejadas/os fãs do Radiohead. E aqui me refiro a dois álbuns em especial, “Amnesiac”, de 2001, e, sobretudo, o já mencionado “The King of Limbs”, de 2011.

Ao mesmo tempo, inclusive nesses trabalhos, há músicas que estão anos luz à frente do que grande parte das bandas do seu tempo produz, como “Pyramid Song” e “I might be wrong”, de “Amnesiac”, e “Lotus Flower”, de “The King of Limbs”.

radiohead_editada2Com tudo que já fez na carreira, o Radiohead poderia estar vivendo há anos de turnês, daquelas feitas sob medida para arrecadar dinheiro a cada nova reunião arranjada entre os músicos originais da banda, e/ou de álbuns autorreferentes a um passado há muito perdido, como fazem tantos outros artistas da importância desses britânicos.

Muito pelo contrário! O Radiohead não se cansa de experimentar, seja para o bem ou para o mal, passa anos sem tocar algumas das suas músicas de maior sucesso, faz poucas turnês em comparação a artistas do seu calibre e gosta de variar as faixas que toca entre uma apresentação e outra da mesma turnê.

Pode-se dizer até, como faria, principalmente, quem não gosta do Radiohead, que eles abusam da fórmula, ou seja, que exploram à exaustão o estereótipo de experimentalismo que criaram para si. Nesse caso, prefiro que se peque pelo excesso.

VEJA O CLIPE DE PRESENT TENSE

OUÇA O ÁLBUM A MOON SHAPPED POOL NO STOTIFY

Sobre o autor

João Botelho

Já foi de tudo um pouco na vida, jornalista, consultor, professor..., mas o que o define mesmo são três coisas: ouvir rock, andar de skate e ver o Corinthians.