Especial Garimpo Bem Rock

Surra avança pelo Brasil com hardcore e crítica social

O tema é pesado, com muita denúncia social. E o tom pessimista, como já diz o próprio nome do álbum: Tamo na Merda. Mas, em sua própria ‘maratona’, a banda santista Surra vai levando sua mensagem, e seu rock’n’roll, para todos os cantos do Brasil. E até para o exterior (veja o mini-doc sobre a turnê europeia).

Tamo na Merda é o primeiro disco do grupo, que já havia lançado alguns EPs. E, com ele, o Surra pretende chegar a 60 apresentações neste ano de 2017. Fruto de muito trabalho com shows e divulgação. ‘As pessoas acham que é uma corrida de 100m, mas é uma maratona. Uma hora você colhe os frutos. Uma banda tem que começar, fazer show, lançar disco, fazer show, fazer show, até ficar conhecido e conseguir coisas melhores. No ano passado fizemos uns 50 shows. Esse ano serão uns 60. E shows mais legais’, explica Victor Miranda, baterista do grupo.

Com letras críticas aos excessos do capitalismo, do consumismo e até do uso das redes sociais, o Surra tenta manter a coesão não apenas musical, mas também no discurso. O grupo, além de Victor, tem Leeo Mesquista, vocalista principal e guitarrista, e Guilherme Elias no baixo e também vocais.

Leeo é quem finaliza as letras, mas Victor explica que o trio todo participa da criação. ‘O Leeo faz as letras. Mas o Guilherme e eu damos ideias. Às vezes eu mando umas notícias para ele que podem ser letras. Ele vai lá, faz um rascunho e depois sentamos para fazer o ajuste fino. Porque fazer a letra é trabalhoso’, diz.

Segundo o baterista, as ideias são compartilhadas por todos na banda. Lembrando o que aconteceu com os Garotos Podres – a banda rachou após uma briga com um empresário e conflitos ideológicos ficaram mais expostos, Victor não teme pelo mesmo destino. ‘Vem da cabeça dos três. O Mao teve a banda dele sequestrada, mas isso não tem chance de acontecer. Antes de estarmos em uma banda, somos amigos desde muito antes. Não fizemos a banda para ter tal estilo. Sempre tocamos juntos para aprender instrumentos e acabou virando a banda’, explica Victor.

O público do Surra, em geral, aprova não apenas o som, mas também o tom crítico das letras. ‘Geralmente o pessoa que curte mais a banda se liga bastante nas letras e até vem conversar com a gente sobre isso. É sempre um contato positivo nos shows. Porque o cara que odeia a gente não vai. Já na internet sempre tem uns caras (críticos). Mas aí é banir direto. No fundo alguns até gostam da banda, mas a cabeça dele é um lixo e fica revoltado porque não pensamos como ele’.

Victor também descarta qualquer problema com a classificação da banda como esquerdista – ou até comunista. ‘Jamais. Pode colocar esse rótulo porque não nos importamos. Para esse tipo de música que fazemos sempre foi assim. A atitude é essa’, diz.

O baterista vê o estilo musical da banda completamente ligado ao discurso crítico das letras. ‘Até houve tentativas de falar sobre coisas mais pessoais, angústias, esse tipo de coisa. Mas é mais difícil sem parecer meio piegas. Acaba indo para esse lado (crítico) e parece que o instrumental puxa a atitude do resto. E o instrumental que queremos é esse’.

Apesar da agenda cheia de shows, o Surra já prepara um novo lançamento. E a pegada das letras não deve mudar. ‘Eu acho que, em relação ao país, está cada vez pior. Eu até cheguei a ter dúvida se estava tão ruim mesmo, mas agora que tenho certeza que está. E vai piorar. Vamos gravar mais um EP, em vinil, e as letras são sobre isso também’, adianta Victor.

Veja o clipe de Tamo na Merda

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