Especial Garimpo Bem Rock

Surra encara realidade difícil pelo ‘resto de nossas vidas’

A agenda do Surra está cheia. Ainda em 2017 a banda de Santos irá viajar pelo Brasil, com shows já agendados no Pará em alguns estados da região Nordeste. Mas Victor Miranda ainda lembra de 2016 para citar as dificuldades de fazer turnê pelo Brasil. ‘No ano passado fizemos uma turnê na Europa e ganhamos dinheiro como nunca aconteceu no Brasil’, conta.

O baterista vê seu futuro ligado aos shows e ao rock, mas sem o objetivo de se sustentar completamente com música. ‘No Brasil é bem difícil, mas é o que gostamos de fazer. E vamos fazer isso pelo resto de nossas vidas’, diz, pensando em algo mais do que encher o cofre da banda. ‘Isso um dia vai me possibilitar outras coisas, como conhecer outros lugares legais por aí’.

Além do mercado fonográfico, Victor vê a própria estrutura e o tamanho do país como impeditivos para bandas conseguirem fazer longas turnês. ‘A estrutura é difícil e, por isso, fazer turnê no Brasil é mais complicado. Na Europa é tudo de van e, em umas seis horas, você já está em outro país’, conta.

Com essa situação, Victor, que também é jornalista, conta que o Surra consegue se bancar, o que já é positivo. ‘O que rola é a banda se pagar, vendendo camiseta, CD, grana dos shows. Mas contamos mesmo mais com o merchandising do que com a grana dos ingressos. É um dinheiro que sustenta a banda e ajuda a nos planejarmos’.

O baterista cita o Krisiun e o Ratos de Porão como dois bons exemplos de como as novas bandas podem pensar no mercado exterior para conseguir se manter. ‘Os caras do Krisiun são uns heróis’, elogia. ‘Há 30 anos fazendo shows, gravando discos e viajando o mundo todo. Eles são reis nos EUA porque já fizeram um milhão de shows por lá. Assim como o Ratos de Porão. Todos os anos eles vão para a Europa. Por isso eu não condeno as bandas que fazem tudo pensando em se dar bem lá fora’, completa.

Mini Doc mostra como foi a turnê do Surra pela Europa em 2016